| |
|
| |
|
|
|
Leila Ferreira é uma jornalista
que adora colecionar histórias das loucuras e das
manias femininas. É autora do livro Mulheres:
Por que Será que Elas...?, da Editora Globo |
|

|
Fale
com ela |
|
|
| |
|
|
Palestra Ser
Mulher Hoje
Leila Ferreira aborda temas do cotidiano feminino como
o perfeccionismo e a culpa, o consumismo, o cansaço provocado
pelo acúmulo de tarefas, os desencontros sexuais e amorosos
e a ditadura da beleza, da magreza e da eterna juventude
dia: 27 de março, das 14 às 16h
10 vagas
Gratuito
onde: EDENº343
R. Lisboa, 285 - SP/SP
telefone: 3063-2299
e-mail: eden343@uol.com.br
www.eden343.com.br
|
|
| |
| Mulheres: Por que Será que Elas...?
|
|
|
Moda,
consumo, homens, auto-estima, culpa, sexo, estética, estresse
e outros temas sob a ótica da mulher contemporânea. Busquei
a matéria-prima do meu livro na vida real. Numa peregrinação
por bares, restaurantes, salões de cabeleireiro e clínicas
de estética, entre uma infinidade de outros locais, conversei
com mais de 50 mulheres. Um esforço compensado por depoimentos
e histórias tão absurdamente engraçados que, embora sejam
de verdade, parecem pura ficção |
|
| |
| Nós, Mulheres na Marie Claire |
|
|
|
| |
|
17/03/2008
VIVER ESTRESSADA NÃO TEM CHARME
“Faz três anos que eu não tiro férias!”, ouvi Ana dizer a suas amigas. Até aí, nada de mais. Muita gente acumula férias, por vários motivos. O que me surpreendeu foi o tom da frase. Não era o desabafo de uma pessoa cansada, indignada com suas condições de trabalho. Pelo contrário: Ana parecia feliz, como se sentisse orgulho pelo fato de estar sem férias. Sabe aquele ar de quem está contando vantagem? Pois é. Era exatamente esse o tom. Aí senti o quanto estamos incorporando os valores masculinos. Essa história de mostrar serviço, provar que o trabalho vem antes de tudo, se matar de trabalhar, fazendo montanhas de horas extras e ignorando as férias, como se essa cruzada heróica fosse sinônimo de profissionalismo... esse filme a gente já viu milhares de vezes, mas ele costumava ser protagonizado pelos homens. Agora, o que tem de mulher no papel principal!...
Já sei o que você vai dizer. Estamos num mercado de trabalho que não passa a mão na cabeça de ninguém, temos que dar duro pra segurar nossos empregos, muitas de nós têm filhos pra criar sozinhas, ou seja, às vezes temos que abrir mão inclusive das férias. A realidade que era dos homens agora é nossa também. Mas daí a achar bonito ficar sem férias ou achar o máximo viver estressada, como se isso fosse sinônimo de ser uma mulher bem-sucedida e moderna, sei não... Meu irmão sempre diz que desconfia dessas pessoas que ficam comendo sanduíche na empresa na hora do almoço, na frente de todo mundo, como se estivessem dizendo: “Vejam como sou dedicado! Não saio nem pra almoçar. Vou acabar tendo uma úlcera, mas não faz mal. Tudo pelo trabalho”. Ele alega que as pessoas realmente competentes conseguem produzir e almoçar, produzir e tirar férias, produzir e viver.
Viver estressada e exibir o próprio stress não tem charme nenhum, mas muitas mulheres vêm caindo nessa cilada. Não falo do stress inevitável, aquele imposto pelas circunstâncias externas. Falo do stress cultivado, construído com uma sobrecarga auto-imposta de trabalho pra que os outros nos achem importantes e bem-sucedidas – o stress como (cada vez mais) símbolo de status. Mulheres, corram dele enquanto é tempo! Façam a pausa para o almoço, limitem as horas-extras, falem menos ao celular, curtam intensamente cada período de férias e cada feriado. “A vida é curta, mas é larga”, alguém já disse. Se cairmos nessa armadilha de cultivar o stress pra sermos admiradas, além de curta a vida vai ficar estreita. E uma vida estreita ninguém merece. Você concorda?
|
|
|
 |
 |
 |
13/03/2008
Páscoa sem chocolate? Me poupe!
Quando a gente acha que já viu de tudo nesta vida, tem sempre alguma coisa que ainda consegue nos surpreender. Em matéria de estética feminina, eu achava que não faltava mais nada no mercado – nenhum produto e nenhuma estratégia de marketing. Ledo engano… Acabo de receber um release de divulgação de uma linha de cosméticos à base de chocolate para mulheres que querem “curtir a Páscoa sem abrir mão da boa forma”. Isso mesmo. São hidratantes, espumas de banho e – pasmem! – pasta de dentes que, segundo o release, “agradam principalmente as mulheres que não querem escapar da dieta nem mesmo neste período”. Não se trata de lançamento – a linha já existe, sabe-se lá desde quando. Mas, segundo a empresa fabricante, as vendas aumentam 15% nesta época do ano. Se o dado for verdadeiro, significa que, para não engordar, nós, mulheres, estamos trocando os tradicionais (e deliciosos) ovos de Páscoa por cosméticos feitos com extrato de cacau. Se o dado for apenas um truque de marketing, significa que os fabricantes nos acham capazes de fazer essa troca e estão investindo nisso. Tradução das duas possibilidades: ou as mulheres ou os fabricantes de cosméticos femininos enlouqueceram de vez.
Há algum tempo venho notando que as vitrines, na época da Páscoa, têm ficado muito mais cheias de coelhinhos e cestinhas de decoração do que de ovos de chocolate. E os ovos, além de serem poucos, encolheram. Você vê um coelho de 30 centímetros de altura segurando um ovo que cabe inteiro na boca de qualquer criança. Aqueles ovos gigantes que faziam nossa festa são cada vez mais raros. Como as mulheres são sempre as maiores consumidoras do mercado e elas há algum tempo decidiram abrir mão de todos os prazeres da mesa para emagrecer, o mercado se ajustou: aumentou a variedade dos enfeites de Páscoa (que, por enquanto, não engordam) e diminuiu o tamanho dos ovos. Deixar de comer chocolate na Páscoa já é triste o bastante. Agora, trocar o sabor dos ovos por um creme com cheiro de chocolate… me poupe! E escovar os dentes com a tal pasta? Você passa o domingo de Páscoa comendo ricota, alface e frango grelhado e tomando chá verde e água mineral, mas vai dormir com um gostinho de chocolate na boca, graças ao gel dental à base de cacau.
Acho que fazer dieta deveria ser uma prática proibida em certos dias do ano. Aliás, acho que até a palavra “dieta” deveria ser abolida nesses dias. Quando? No Natal, no Ano Novo, aos domingos, nos feriados em geral e nos 30 dias de férias. Não poder comer panetone no Natal seria infração gravíssima. E deixar de saborear ovos na Páscoa passaria a ser crime inafiançável. As cadeias iam ficar cheias de fabulosas com manequim 38, passando a pão (com muuuuitos carboidratos) e água de torneira. Talvez assim a gente aprenda a deixar de lado a ditadura das dietas. Ou alguém acha que nós, mulheres, só temos direito a uma vida sem tempero? Ainda está em tempo: compre um ovo bem grande e bem calórico, esconda no armário junto com o figurino 38, 40 ou 46 e, no domingo de Páscoa bem cedinho se dê esta alegria de presente. No final do dia, escove os dentes com pasta de clorofila e vá dormir feliz. Você pode até não acreditar, mas a gente merece.
|
|
|
 |
 |
 |
11/03/2008
As lambidas de Alan Pauls
Numa entrevista recente, quando perguntado com quem tinha fantasias sexuais, o escritor argentino Alan Pauls (autor de “O Passado”, que virou filme de Hector Babenco) respondeu: “Amy Winehouse. Eu me ajoelharia a seus pés e passaria horas lambendo sua pinta”. Agora me diga: que mulher não se derrete lendo as palavras de Pauls? Primeiro, porque ele é um charme (pra ficar nos eufemismos). Segundo, porque ter um homem ajoelhado a nossos pés não é algo que acontece com freqüência no século 21. Terceiro, porque a imagem de um homem como Alan Pauls lambendo uma pinta no rosto de uma mulher é... me faltam adjetivos. E, por último, mas fundamental na nossa lista, porque a mulher escolhida por Pauls não é nenhum dos objetos de desejo que povoam a mídia. A louquíssima (e ultratalentosa) Amy Winehouse não se parece em nada com as “flawless beauties”, as belezas perfeitas que estampam as capas de revistas, posam nuas ou arrasam no cinema. Amy seria feia se não fosse ótima. É estranha, magricela, a anti-gostosa, tem traços meio bizarros e está sempre com aquela aparência de quem acabou de entrar ou de sair de uma “rehab”. Intoxicada ou recém-desintoxicada, é o avesso da geração saúde. A última coisa que se imagina é Amy Winehouse tomando chá verde pra manter o peso ou passando horas na academia pra levantar o bumbum. Silicone nos seios, drenagem linfática, botox? Será que a vencedora do Grammy já ouviu falar nessas coisas?
Enfim, ver que uma mulher que foge dos estereótipos de beleza é vista como objeto de desejo por um homem que, em tese, pode escolher qualquer mulher lava a alma da ala feminina. Ver que o talento é sexy, a voz é sexy e o olhar é sexy é privilégio dos homens que se recusam a ser óbvios. No mar de obviedade que tem sido a arena onde se atraem homens e mulheres, encontrar a libido dissonante de um Alan Pauls é ..., bem, extremamente sexy. Eu me ajoelharia aos pés do escritor argentino. E você?
|
|
|
 |
 |
 |
10/03/2008
AI, QUE CANSAÇO...
Desde que falei em meu livro sobre o cansaço feminino nos dias atuais e as loucuras que ele tem nos levado a cometer, muitas mulheres têm vindo me contar o que elas andam aprontando por causa desse cansaço. São histórias e mais histórias. Uma chegou do supermercado e guardou o pacote de absorventes na geladeira. Outra congelou o controle remoto da TV – isso mesmo, guardou no freezer. Teve uma psicanalista que aguou com o maior carinho um cactus que tinha ganhado até o dia em que o vaso caiu no chão e ela descobriu que a planta era artificial.
São situações que só quem vive correndo contra o relógio e tentando fazer duas mil coisas ao mesmo tempo sabe que é capaz de protagonizar. É o caso de Maria Aída, que um dia se esquece do próprio endereço e no outro viaja para uma palestra levando apenas um pé do par de sapatos que vai usar. Ela me contou que há pouco tempo viveu o que classifica de “cena patética”. Depois de passar a manhã viajando e a tarde participando de um congresso, decidiu entrar num shopping antes de ir para o hotel, pra comprar um presente pra filhinha de um ano. Achou logo o mimo numa vitrine: um vestidinho estilo jardineira, todo bordado com flores. Entrou na loja decidida e perguntou à vendedora se ela teria o vestido num tamanho um pouquinho maior. A vendedora fez uma pausa e perguntou: “É pra que raça?”. Só então Maria Aída se deu conta de que estava numa pet shop. Gaguejando, disse que não se lembrava, mas iria checar e voltaria no dia seguinte pra comprar o vestido. Com um sorriso entre bege e amarelo, despediu-se da moça e voltou para o hotel sem o presente da filha. As compras ficaram suspensas por tempo indeterminado. Naquela altura do campeonato, era melhor descansar do que correr o risco de acrescentar mais um mico ao seu currículo.
E você? Tem passado por situações assim? Anda com a cabeça nas nuvens? Tem feito loucuras por causa do cansaço? Divida suas histórias conosco no “Nós, mulheres”. Aqui a gente fala a mesma língua.
|
|
|
 |
 |
 |
06/03/2008
Afinal, o que querem as mulheres?
Há pouco tempo, numa conversa com a atriz Denise Fraga (uma das pessoas mais apaixonantes que conheço), ela me disse que, de todas as histórias de mulheres que mostrou no seu quadro “Retrato Falado”, no Fantástico, uma das que mais amou foi a de uma dona de casa do interior de Santa Catarina, que começou a andar de bicicleta para fortalecer os joelhos. Segundo Denise, o tratamento foi prescrito por um médico e a catarinense passou a dar voltas na praça da cidadezinha. Aos poucos, foi aumentando o número de voltas e, quando viu, estava percorrendo seis quilômetros por dia. Aí resolveu andar em linha reta. Atravessou a cidade, foi até a cidade vizinha, depois vieram outras cidades, e a distância só aumentando, para espanto dos filhos e dos netos. Resumo da ópera: nossa dona de casa acabou indo de bicicleta até o Maranhão. Atravessou o Brasil.
Assim tem sido a vida das mulheres de hoje. Depois de séculos pedalando na pracinha (ou dentro de casa), descobrimos que toda aquela energia poderia ser usada para percorrer o planeta. É destas atletas do século 21 que a gente vai falar aqui no blog, essas mulheres que perderam o medo dos limites e, acima de tudo, o medo de sentir medo. Vale conversar sobre tudo que carregamos nas nossas necéssaires: nossos sonhos, nossas conquistas profissionais, nossas escovas progressivas, nossos quilos que não nos deixam, nossa mania de nos importar com esses quilos, nossos homens (ai, nossos homens!), nossas obsessões, nossos desejos.
Dizem que nós, mulheres, somos seres complicados. Até Freud que, além de pai da Psicanálise, deve ter sido o pai da paciência (ou não viraria o ser humano do avesso), bom, até ele acabou perdendo a calma conosco. Sua pergunta clássica – “Afinal, o que querem as mulheres?” _ são as palavras de um homem impaciente. Talvez com razão. Digamos que, de fato, somos complexas. Mas pelo menos agora já sabemos o que queremos: é tudo ao mesmo tempo agora. E, se for preciso, vamos pedalar até o fim do mundo na tentativa de sermos (e fazermos os outros) felizes. Alguém duvida?
|
|
|
 |
 |
 |
|
 |
|